Dicas de Londres, Turismo

Coluna da Ana: Um Fim de Semana Como um East Ender

março 09, 2018 Por Ana Cunha

Mês passado, na minha primeira coluna aqui no blog, contei sobre como vim parar aqui em Londres e, mais especificamente, aqui na Zona Leste da cidade. Quem leu, pôde perceber que tudo que aconteceu foi um misto do planejamento com o acaso. Vida sendo vida. Londres era um sonho, e aí ele se tornou realidade.

Essa palavra é bem interessante na verdade: realidade. De turista na cidade dos sonhos, me tornei uma habitante de um lugar ‘comum’, com vida real, rotina e boletos para pagar. Não que isso seja ruim, de forma alguma. Tenho 31 anos e hoje posso dizer algo que nunca me imaginaria dizendo aos vinte e poucos: eu amo rotina! E onde eu quero chegar com isso? Bom, eu não vejo o Big Ben todos os dias, visitar o Covent Garden não está na minha lista de prioridades semanais, e não me importo de ficar meses sem nem avistar de longe o Palácio de Buckingham. Que louco isso, não? A Ana de dois anos atrás não imaginaria escrever estas coisas.

Mas a realidade é diferente. Londres é enorme, cheia de coisas, lugares, pessoas incríveis. E a gente vai descobrindo e explorando cada novidade com o tempo. E com esse mar de novas possibilidades que descobri à minha volta, de repente, estava eu sem pisar no centro da cidade por mais de 2 meses. Acontece. E não é que eu more longe, porque estou há 15 minutos de metrô do centro de Londres. A questão é que a gente vai descobrindo os lugares que a gente quer frequentar, conhecer, fazer parte. Tudo aos poucos. E todos os dias, quanto mais eu conhecia a região que viemos morar, mais encontrava lugares que gostaria de ir durante os fins de semana. E uma coisa vai te levando a outra, e de repente eu me via com uma lista enorme de coisas para fazer e lugares para conhecer em diversos outros bairros da cidade também. E talvez porque Londres seja uma cidade com um sistema de transporte público super abrangente e o metrô seja relativamente rápido, dá para conhecer um pouco de tudo que está rolando por aí, sem preguiça, sem pensar em estacionamento, trânsito ou tempo.

Mas voltando à vida real de uma moradora do East End, assim como na maioria das cidades, as regiões centrais ou turísticas são mais caras, e vamos combinar que a libra já é cara por si só e que Londres pode ser uma extorsão pro nosso bolso. Sabemos que quando somos turistas e não conhecemos nenhum morador local, acabamos pagando um preço mais alto por isso. Faz parte. E, enfim, cheguei onde queria chegar com esse blá blá blá todo. Gostaria de dividir com vocês algumas opções de programas alternativos, para quem quiser vivenciar em um fim de semana por exemplo, alguns lugares que eu gostei muito de conhecer e vivenciar aqui, e que são fora da zona turística de Londres. Posso dizer que são dicas que só algum local poderia sugerir, e faço isso porque é algo que eu sempre procuro ter quando viajo – quero ao menos um dia em uma vida real da cidade. Normalmente acaba sendo divertido, interessante e, o melhor, mais econômico!

Vou começar com um programa super acessível e bacana pra fazer por aqui: procurar por feiras que rolam aos finais de semana por toda cidade. São feiras de rua, que vendem comidas, bebidas, flores, vinil, livros, roupas e mais. Acontecem em vários bairros. Aqui perto de casa rola uma de sábado que eu amo, e chama Broadway Market (@broadwaymarket – a rua que hospeda a feira tem o mesmo nome). Passeio gostoso para fazer durante o dia, onde se consegue almoçar um risoto de cogumelos fresquinho feito ali na hora e na sua frente, por 4 pounds. Ou, quem sabe, beliscar algumas das diversas opções de gostosuras, de todos os tipos, culinárias e nacionalidades. Como continuação do programa, comprar umas cervejas em qualquer Tesco da vida (rede de supermercados bem popular) e sentar no London Fields, que é um parque logo no final da rua dessa mesma feira. Opção divertida e mais barata que uma pint em qualquer pub. O parque no verão fica lotado, tem uma atmosfera super jovem e animada, e, por ali, ainda dá para encontrar alguns rooftops que irão te proporcionar um skyline – ainda que distante – de alguns ícones da arquitetura londrina. O meu preferido: Netil 360 (@netil360 – aberto somente no verão).

Hoje em dia, como uma boa londoner que me tornei, ando muito, pra todo canto. Carro nem tenho e nesses 16 meses que moro aqui, não senti necessidade (se isso um dia vai mudar, não sei dizer). E o que eu mais gosto aos finais de semana é caminhar ao longo do Regents Canal. Se estiver no Broadway Market, o acesso é bem tranquilo, o canal passa no final da rua. Dalí, você pode optar por seguir em direção à Islington (que também é um bairro legal e animado, fica na zona norte), ou optar por ir em direção ao sul, até chegar no Rio Tâmisa. Isso mesmo, tudo pelo canal. Garantia de passeio agradável e diferente pra Londres. O que a gente faz muito é ir parando ao longo do caminho, ou para comprar cerveja no mercado e ir tomando enquanto caminha, ou parar em algum pub próximo de onde estiver.

A caminhada leva quase 2 horas, mas o passeio ao longo do canal vale o tempo. E o mais legal é chegar no final dele e dar de encontro com a marina de Limehouse, é simplesmente lindo.

E bem pertinho da marina, tem um pub que eu recomendo muito e sempre levo nossas visitas: o The Grapes. Um dos pubs mais antigos da cidade, com um deck escondido lá no fundo, onde dá para tomar uma pint apreciando o Rio Tâmisa e ficar imaginando o Gandalf circulando por lá com seu cajado – que está pendurado em uma das paredes do bar. Reza a lenda que, Ian McKellen, um dos donos do pub, coordena alguns dos pub quizzes que rolam durante a semana.

Agora estamos vivendo o final do longo e frio inverno londrino. E a tendência é hibernar mesmo, isso é fato. Enquanto tem luz do dia (que no alto inverno acaba por volta das 4 da tarde!) dá até para manter a caminhada aventura, mas assim que escurece, todo mundo corre pro pub. E, pra não sair das dicas locais, um lugar que eu gosto bastante e que só abre durante o inverno, é o Redchurch (@redchucrhbrewer), em Bethnal Green. Fica embaixo dos arcos do Overground (trens), em uma rua escura e escondida. Você não imagina que vá ter algo tão legal ali. O lugar é pequeno e simples: embaixo a cervejaria e em cima, no mezanino, fica o bar. As cervejas tem os nomes de bairros e ruas aqui da região, e são deliciosas. Não vende nadinha de comida, mas você pode pedir um delivery de pizza ou kebab qualquer, e comer por lá mesmo. Cerveja boa e comida barata (ou não, aí depende de você!), opção perfeita para qualquer bolso. E, de novo, aqui você certamente só encontrará locais.

A noite londrina não vai muito longe, o fim de semana aqui começa cedo e poucos lugares ficam abertos após a 1 da manhã. O The Dundee Arms (@dundeearmse2), ainda em Bethnal Green, é um dos poucos pubs que não te expulsam às 11 da noite, caso ainda sobre energia depois de um dia todo de passeio. O mais engraçado é que chegar lá depois das 11 é garantia de encontrar muitas pessoas que estavam com você em qualquer outro lugar do bairro que você tenha sido expulso (e eles expulsam mesmo, te dão copos de plástico pra cerveja, acendem a luz e guardam as cadeiras. Tchau!). E normalmente tá todo mundo em busca de um pouquinho mais de sábado a noite pra curtir. O lugar é bem bonito por dentro, e tarde da noite rola música alta, pra dançar mesmo. E depois disso é hora de ir pra casa.

Eu poderia passar um dia inteiro escrevendo sobre lugares bacanas e não turísticos que eu gostaria de recomendar, mas por hoje serão todos esses! E esse ‘roteiro’ já resumiu diversos fins de semana meus por aqui. Fico feliz em poder dividir com vocês, e espero que um dia também seja um sábado ou domingo da vida de alguém por aqui! E, ah, se isso acontecer, vou adorar te acompanhar em uma pint. Cheers!

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