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Tate Britain Ganha Exposição Sobre a Influência de Londres na Obra de Van Gogh

abril 15, 2019 Por Ju Schmidt

Apesar de nunca ter sido uma clara referência nas pinturas de Vincente Van Gogh (1853-1890) a cidade de Londres exerceu uma forte influência em suas obras e foi justamente pensando em apresentar esses detalhes pouco discutidos que o museu Tate Britain nomeou sua mais nova exposição “Van Gogh and Britain”.

A mostra que abre no próximo dia 27 no museu britânico, lança um novo olhar para um dos pintores mais conhecidos do mundo. O quadro A Ronda dos Prisioneiros, de 1890, é a única cena de Londres retratada por Van Gogh, porém sabe-se que o pintor morou na cidade por três anos, de 1873 a 1876, e que ela teve um impacto grande sobre o artista que passou uma de suas melhores fases por lá.

Van Gogh mudou-se para Londres aos 20 anos, para trabalhar na Goupil & Cia., como caça talentos numa das mais tradicionais empresas no comércio de arte na virada do século 19 para o 20. A coleção de cartas que trocou com o irmão mais novo e confidente, Theo, mostra que esses foram os seus dias mais solares. “As correspondências nortearam a primeira parte da exibição, que foi dividida em dois momentos”,conta Carol Jacobi, curadora do Tate e autora do catálogo da mostra. “Através delas conhecemos um rapaz apaixonado por literatura e seu primeiro contato com Dickens, que, como ele, tinha rigorosa formação religiosa e contava histórias de pessoas comuns e seus pequenos dramas.” William Shakespeare, as paisagens de John Constable, as cenas cotidianas de John Everett Millais e as ilustrações de revistas como a The Ilustrated London News também ganham descrições entusiasmadas nas cartas do gênio pós-impressionista.

Outra obra que evidencia a relação do holandês com a cultura britânica e poderá ser vista na exposição é a A Arlesiana, de 1890. Nela, Marie Ginoux, dona de um café em Arles frequentado por Van Gogh em seus últimos anos de vida, está sentada em uma mesa ao lado de dois livros. “Um deles é o Conto de Natal, de Charles Dickens, que ele conheceu durante esse período, leu repetidas vezes e que foi fundamental na temática de seus trabalhos”, conta Carol. O quadro integra o acervo fixo do Masp e foi cedido especialmente para o evento.

Além das missivas, dos posters e das pinturas dos artistas citados por Van Gogh, a primeira parte da mostra traz quadros de paisagens, detalhes e personagens rotineiros que encheram suas telas a partir de 1881.

A segunda parte resgata a grande exibição que o Tate dedicou a Van Gogh em 1947. “Encontramos uma carta na administração do museu pedindo verba para restaurar o piso do prédio, danificado devido ao imenso número de pessoas que compareceu”, revela. Logo após a Segunda Guerra Mundial, as filas que se formaram para ver os girassóis do artista só foram comparadas às de distribuição de alimentos e roupas. “Os jornais da época escreveram que os ingleses estavam famintos por cores.” Além de exibir alguns dos girassóis, a exposição da Tate também ressalta a geração de pintores ingleses que foi influenciada pelo seu trabalho. Com 45 obras vindas de vários cantos do mundo, o evento é o grande destaque do museu este ano. “Nosso piso está bem preparado para a avalanche de público que devemos receber”, promete a curadora.

Uma ótima opção de passeio que une o amor por Londres, pela história, pelas pinturas de Van Gogh e pelo Tate.

Tate Britain: SW1P 4RG, Londres. A exposição fica em cartaz até 11 de agosto.

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