Entrevistas

Rainha Entrevista: Juliana Yonezawa

outubro 04, 2017 Por Camile Arndt

A “Rainha Entrevista” do mês de Outubro traz uma pessoa muito especial. Ela é Jornalista, viajante profissional e sempre atende a gente com um sorriso e muita paciência e carinho. Com vocês: Juliana Yonezawa! 

OVR – Conte-nos um pouco como surgiu a paixão pelo jornalismo e a sua trajetória profissional ate chegar na Globo Internacional.

JY – Sempre fui muito curiosa e adoro descobrir e contar histórias. Quando entrei na faculdade, me imaginava escrevendo para jornais impressos, mas meu primeiro estágio foi em uma televisão local, chamada TV Mais ABC, em 2002. Desde então, o ‘bichinho da TV me picou’ e o jornalismo televisivo me ganhou de vez. No Brasil, fui repórter da TV Bandeirantes e editora de notícias internacionais do Terra TV. Em 2008, quando me mudei para Dublin, Irlanda, começei a trabalhar como correspondente para o Terra TV junto com meu marido, que também é jornalista. Fazíamos todas as funções: produzir, gravar e editar. Em 2011, nos mudamos para Londres. Continuei trabalhando para o Terra TV e também para a Rede TV. Em 2012, recebi o convite da Globo Internacional para apresentar o programa Globo Notícia Europa. Foi uma experiência maravilhosa. Agora em março, o programa acabou. Nesses 5 anos na Globo Internacional, pude conhecer muita gente e interagi bastante com a comunidade brasileira que mora no exterior. Foi enriquecedor!


OVR –  Como é a sua rotina de trabalho como Jornalista? Pautas, horários de trabalho, inspirações?

JY – Eu diria que jornalista não tem muita rotina. Cada dia é diferente. Mas já acordo lendo notícias e tenho alertas no meu celular para o caso de ‘breaking news’, que são as notícias de última hora.

A nossa matéria-prima é a notícia, então temos que trabalhar quando ela acontece. Pode ser num feriado, fim de semana, de madrugada…

As inspirações para pautas não veem de um lugar só. Às vezes, uma ideia surge de um bate-papo com amigos; outras , de uma caminhada pelo bairro. Um antigo chefe costumava brincar que lugar de repórter é na rua. Ele tinha toda razão. É só saindo e prestando atenção no que acontece ao redor que podemos encontrar boas histórias.


OVR – Morar em Londres traz que tipo de benefícios para a sua carreira? E também o que não ajuda tanto assim?

JY – Em Londres tudo acontece e vários especialistas nas mais diversas áreas podem ser encontrados aqui. A cidade é rica para cobrir diversos assuntos como política, economia, moda, gastronomia, música, turismo, esportes, educação, tecnologia etc.

É praticamente impossível ficar sem assunto.

Juliana Yonezawa e Euzinha no London Fashion Week

OVR – Suas redes sociais são sempre recheadas de viagens e muita informação. Quantos países voce ja visitou? Quais são os 3 primeiros da sua lista dos sonhos?

JY – Amo viajar!! Já visitei mais de 40 países. Parece bastante, mas é bem menos do que eu gostaria. Conhecer lugares novos e culturas diferentes é algo fascinante. Abre a cabeça, quebra preconceitos e te faz refletir sobre seus próprios hábitos.

Dos países que conheci, colocaria 3 no topo. Fiquei quase hipnotizada pelo Japão. Que povo educado, gentil e respeitoso. Não tive vontade de ir embora. Foi uma viagem muito especial. Visitei umas 4, 5 cidades. Em algumas tinha muita gente e muita informação. Outras eram redutos de paz.

Galápagos, no Equador, também é de cair o queixo. É uma viagem de puro contato com a natureza e com animais que jamais vi em outro lugar. A preservação do meio ambiente é levada muito a sério. Em um das praias que visitei, era proibido entrar com frutas, tipo maçã, por exemplo. Essa medida é para evitar que plantas não originais das ilhas começassem a nascer por ali.

Portugal. Depois de quase 10 anos morando no exterior, é em Portugal que me sinto mais próxima do Brasil. É lá que mato um pouco da saudade de casa. Falo e escuto português o tempo todo, tomo café da manhã na padaria e dou bom dia para as pessoas na rua… Já fui várias vezes e pretendo voltar muito mais.

A minha ‘bucket list’ de destinos que quero conhecer é imensa, mas vou citar 3:

– Tibete – já tentei, mas é muito difícil conseguir o visto sendo jornalista (mesmo indo de férias).

– Jamaica – está nos planos, devo ir em breve.

– Brasil – Não conheço o Brasil todo. Queria visitar todos os estados brasileiros.

OVR – O que você sente mais falta do Brasil? Ja pensou em voltar a morar lá ou estão nos planos?

JY – Já senti falta da comida, mas isso não é mais um problema. Em Londres é super fácil achar ingredientes e comida do Brasil. O que mais faz falta são os momentos que perco por estar longe. Não passo os finais de semana em longos almoços com minha família, não vi várias amigas se casarem e terem filhos, não estou perto fisicamente quando alguma pessoa querida precisa de um abraço.

Também sinto falta da simpatia dos brasileiros. No meu prédio, em Londres, os vizinhos não interagem. Da última vez que fomos no Brasil, eu estranhei, mas gostei de conversar com desconhecidos no elevador.

Por outro lado, é dificil pensar em voltar de vez. Não diria que não voltaria, mas não tenho planos.


OVR – Voce acredita que o “Jornalismo Positivo” esteja ganhando mais espaço ou as pessoas ainda preferem saber de noticias tristes e violentas?

Não dá pra generalizar. É importante que haja espaço para tudo.

OVR – Internet e Jornalismo: concorrentes ou aliados? Como voce vê o futuro da profissão?

JY – Não tem como evitar. É na Internet que as pessoas mais buscam informação e é lá que as notícias se espalham. O que você procura está a alguns cliques de distância. Isso é maravilhoso.

O maior desafio é em relação à veracidade. As pessoas recebem textos e videos por whatsapp e redes sociais e tomam aquilo como verdade, como informação genuína. Muitos leitores não têm costume de apurar os fatos, ou de procurar outras fontes. Me parece que está mais fácil manipular, editar e espalhar. E isso é assustador.


OVR – Qual foi a matéria que você mais se emocionou em fazer? E a que você nunca gostaria de ter feito?

JY – Uma das matérias que mais me emocionou foi justamente a que eu nunca gostaria de ter feito. Acompanhei o dia seguinte do incêndio na Grenfell Tower em Londres. Foi muito triste, muito trágico. Era inacreditável ver aquele prédio ainda em chamas e a multidão de gente de várias partes da cidade que largaram tudo o que estavam fazendo para ajudar.

OVR – Sobre qual assunto que você se sente mais confortável em criar pautas e matérias?

JY – Gosto de escrever matérias de serviço. São bem informativas e podem ser úteis para a vida do público. A gente mostra como algo que aconteceu ou está previsto para acontecer pode impactar sua vida. Exemplos disso são mudanças nas leis de imigração, descobertas de saúde, o que fazer quando voos são cancelados, etc…

Também adoro contar histórias de pessoas inspiradoras. Amei entrevistar a mulher que criou uma maternidade especial para atender vítimas de agressão sexual e o professor aposentado francês que foi aplaudido em pé no último dia de aula. Ele realmente se importava com os alunos e toda a atenção e carinho que dedicou aos jovens voltaram para ele.


OVR – Compartilhe conosco um pouco dos seus planos para o futuro profissional.

JY – Depois que o Globo Notícia Europa acabou, comecei a colaborar com outras mídias brasileiras. Mas recentemente aceitei convites para trabalhar com mídias estrangeiras e está sendo muito desafiador. Acabei de fazer um video para o canal Euronews e, no momento, participo da produção de um vídeo sobre as Suffragettes, que será exibido no Museu de Londres.  

 Mas quem costumava acompanhar meu trabalho no Globo Noticia Europa não ficou abandonado. Vira e mexe, posto notícias que julgo de interesse público nas minhas redes sociais e costumo responder a todas as mensagens que recebo.

Ela é uma fofa né gente? Eu muito fã da Juliana e para mim foi incrível poder entrevistá-la! Pessoa do bem, com conteúdo e ainda assim com uma simplicidade rara de ser ver!

Para acompanhar a Juliana Yonezawa, segue ela no Instagram (@julianayonezawa)

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