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Mulher como objeto: Brasil X UK

julho 24, 2017 Por Camile Arndt

Esse post não tem muito a ver com moda propriamente dita, mas tem muito a ver como a mulher se relaciona com a moda, com seu corpo e seu papel na sociedade. E mais ainda, a diferença dessa interação entre Brasil e Inglaterra.

Morando a quase 4 anos em Londres, eu pude perceber – e a cada dia aprendo e percebo algo novo – uma diferença bem interessante entre a mulher brasileira e a mulher inglesa: como nos posicionamos como pessoas, como objetos e como moeda de troca. Antes que os haters me ataquem, por favor, leiam esse post até o final e tirem suas próprias conclusões.

Corpo da mulher

Mulher é mulher em qualquer lugar do mundo certo? Mas eu vejo algumas particularidades entre esses dois “mundos” que eu vivo que me fazem questionar muita coisa. Por exemplo: nós – brasileiras – temos mais curvas, mais sensualidade, mais sex appeal, somos mais ligados a beleza física, somos mais calientes. Em consequência disso, somos mais tratadas como objetos sexuais e nos vendemos assim! Sim, nós nos vendemos usando um decote, uma saia curta, usando todas as nossas armas de sedução que envolvem sexualidade para nos sentirmos mais bonitas, confiantes e desejáveis. Tem algo de errado com isso? Claro que não, mas temos que admitir que essa é a nossa realidade.

As britânicas já são bem mais reservadas em relação ao mostrar o corpo, talvez porque tenham menos curvas e menos sangue caliente percorrendo nas veias. E porque elas não precisam ser sensuais, sedutoras e terem corpos perfeitos, cheios de curvas, elas se vendem menos com seus corpos. Elas usam outras armas de sedução, como uma boa conversa, bom humor, atividades físicas que praticam, viagens. É completamente diferente o modo como a mulher se apresenta aqui em relação ao Brasil. Não ter essa necessidade de ser “sedutiva” dá uma liberdade de ser quem a gente realmente é. Usar uma saia longa, uma blusa fechada e não focar no corpo como moeda de troca é muito libertador. Elas estão corretas? Não também. Elas só aprenderam a viver de uma maneira diferente da nossa.

Duas culturas tão diferentes que as vezes me deixam muito pensativa sobre o nosso papel e como estamos lutando pelos nossos direitos. Se você fizer uma busca rápida no Google sobre mulher brasileira e mulher inglesa, vocês vão entender o que estou dizendo. As brasileiras são corpos, bundas e peitos a mostra. As inglesas quase não mostram o corpo. Fica aqui a minha pergunta para vocês: o que estamos fazendo com os nossos corpos?

Feminismo

E aí mais uma característica chama a minha atenção: o feminismo. No Brasil hoje está uma “guerra fria” (ou nem tão fria assim) entre as feministas e as que odeiam as feministas. Discussões super ofensivas, sem qualquer informação correta ou que façam sentido. Desculpem-me quem faz parte dessas conversas, mas temos que elevar o nível intelectual se quisermos ganhar notoriedade. As pessoas não sabem o que é feminismo e nem querem aprender, mas estão lá metendo o pau. E as feministas não sabem como colocar as ideias sem agredir e sem impor uma nova verdade.

Como é essa “guerra feminista” por aqui? Então, não se vê! Porque como não temos os extremos em relação ao corpo feminino e como vendemos essa imagem, não é necessário impor o feminismo goela abaixo. É mais equilibrado e conversado, tanto que aqui muitos homens hoje já se dizem feministas.

Como eu disse antes, não tem certo e errado, tem maneiras diferentes de expressar nossas opiniões e a imagem que queremos transmitir. Eu, sinceramente, me sinto mais livre e confortável nessa sociedade na qual me encontro hoje. Sem pressão de tem que ser gostosa, tem que ser bronzeada, tem que ser loira, magra, alta e bla bla bla. Aqui eu sou a Camile que sempre quis ser, na minha essência, com meus defeitos (físicos e não físicos) e com minhas qualidades (físicas e não físicas), que me fazem única e especial – a quem quiser me ver assim!

Opiniões são sempre bem-vidas! Fique a vontade e participe dessa conversa!

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