Moda

Made in Brazil

setembro 11, 2017 Por Ju Schmidt

Alô Realeza! Recebi o convite mais que especial de estar aqui no blog com vocês com uma coluna mensal em que prometo trazer coisas bem interessantes que criem uma conexão Brasil – Londres.

Em abril, cursei Jornalismo de Moda na Central Saint Martins, ocasião em que conheci a Rainha mor Camile Arndt, durante o curso notei o quanto a forma de consumir moda é diferente nesses dois lugares. Enquanto o Brasil ainda vive sob a máxima mais é mais, Londres é o completo oposto e isso se reflete nas revistas de moda, no merchandising das marcas e no street style.

Não acho que um posicionamento seja errado e outro certo, não é isso, mas acho que trata-se da própria organização social de cada lugar, tendo como consequência o clima, a cultura e as obrigações diferenciadas. Isso explica, porque algumas tendências em alta em Londres acabam nunca chegando ao Brasil e vise e versa.

Para quem estiver em Londres poder entender o que é moda aqui no Brasil, vou trazer durante minha coluna um apanhado do que temos de mais representativo na moda brasileira. Para começar, o maior evento de moda do Brasil, o São Paulo Fashion Week, teve sua última edição agora no final de agosto (de 27 a 31) e algo que já vem chamando a atenção nas temporadas é a questão da diversidade, a busca por um casting mais eclético e a questão do gênero. Duas palavras que também estão super em alta no vocabulário fashion do brasileiro é sustentabilidade e empoderamento.

Se tem uma tendência do exterior que o Brasil abraçou é essa do empoderamento feminino, a diferença é que parece que só agora sob a influência de grandes marcas internacionais, como a Dior, é que o país foi pensar em unir moda e forma de expressão em mesmo combo, coisa que poderia ter sido uma sacada nossa a muito mais tempo, mas como antes tarde do que nunca, essa tendência fez total sentido por aqui, principalmente frente aos casos de abusos que vem sendo cada vez mais divulgados.

 

 

Enquanto isso, a questão sustentável ainda dá seus primeiros passos mas já vemos marcas preocupadas com isso e cada vez mais discussões sobre o assunto, um exemplo é o Projeto Estufa da C&A no SPFW, que traz palestras e desfiles de grandes marcas e designers que apostam numa produção menos nociva ao meio ambiente. A nova geração de designers, na qual me incluo, já sai da universidade condicionada à incluir essa preocupação ambiental, econômica e social em suas criação, ponto positivo para o Brasil nesse quesito, já que a Inglaterra, apesar de pioneira da moda consciente ainda é um dos países que mais descarta peças de roupa sem uso, quadro que está reforçando uma outra tendência por lá a do upcycling, que transforma peças que por algum motivo perderam seu propósito, em matéria-prima para um novo produto.

A verdade é que no Brasil temos uma gama enorme de matéria-prima natural e renovável, uma nova geração fomentadora, cheia de boas ideais, agora só está faltando mesmo é criatividade e coragem de colocar algumas ideias em prática, e por mais cruel que a crise econômica e política possa ser ela está impulsionando ideias que podem levar a moda brasileira a um nova patamar no quesito sustentabilidade e diversidade, afinal que outro país é tão diversificado e miscigenado quanto o Brasil?

Desfile de Ronaldo Fraga na SPFW N44 trouxe casting eclético para a passarela.

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