Moda

Impresso X Digital: Por que as Revistas Estão Perdendo Espaço Para a Internet

agosto 09, 2018 Por Ju Schmidt

Quem não ficou triste esta semana ao se deparar com a notícia de que a Editora Abril encerrou as operações de 10 revistas, entre elas nomes de grande destaque do mercado de moda e comportamento, como a Cosmopolitan, Elle e Boa Forma?

Além do encerramento de grandes títulos também vimos profissionais das áreas de jornalismo, moda, beleza, design, entre outros se depararem com um futuro incerto, pelo menos no segmento editorial, foram cerca de 800 funcionários demitidos.

É ai que vem a pergunta: Por que o mercado editorial enfrenta tamanha crise? A verdade é que subestimamos o potencial e a rapidez das transformações digitais, ainda que na internet qualquer um posso dizer o que quiser e seja difícil garantir a procedência e a verdade de uma notícia, a facilidade que temos de pesquisar e acompanhar as últimas atualizações no ambiente virtual é muito mais atraente.

Enquanto as editoras seguem ocupando prédios inteiros em regiões nobres das grandes metrópoles, na internet é possível escrever de onde estiver sem gastar nada.

Mas se engana quem pensa que este é um problema exclusivo do Brasil, grupos editoriais ao redor do mundo estão tendo que se adequar as mudanças. Com números de anunciantes e assinantes caindo drasticamente o jeito é se reinventar.

Condé Nast, gigante responsável pela Vogue, vem se arriscando em novas frentes apostando nos vídeos, são 400 vídeos por mês, publicados em seus sites e em canais como YouTube, Facebook, Instagram e Snapchat. A divisão de vídeos e web cresceu tanto que sua receita ultrapassou a do impresso.

Mas a própria Condé Nast está passando por dificuldades e tentando cortar gastos, que incluem vender três de seus títulos (Brides, Golf Digest e W) e alugar 23 andares de seu prédio localizado no novo World Trade Center.

A edição de setembro da Vogue americana, a mais esperada do ano, já estabeleceu grandes mudanças ao trazer Beyoncé para ser muito mais do que o rosto da edição, a cantora recebeu controle total sobre sua participação, incluindo aprovação de fotos, da capa e dos textos. Uma inovação e tanto, mas que coloca em cheque o papel do jornalista, afinal as intenções são boas, mas não sabemos quais serão os reflexos disso para este mercado.

Além da dificuldade em manter tudo funcionando, revistas como a Cosmopolitan e a Elle enfrentam também o peso do licenciamento dos títulos estrangeiros, os direitos de publicação sob estes nomes podem ser bem caros.

Na tentativa de sobreviver ao cenário atual, as revistas adolescentes Capricho e Teen Vogue, exploraram ainda um novo caminho e deixaram de ter sua versão impressa para focar em edições digitais.

A verdade é que sempre haverá espaço para o conteúdo e a informação, agora cabe ao mercado se reinventar e se adequar as novas formas de consumo e aos novos modelos de publicação.

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