Entrevistas

Entrevista com a Rainha: Andreia Meneguete

julho 28, 2017 Por Camile Arndt

É com muita honra e privilégio que eu entrevisto Andreia Meneguete – jornalista, professora, comunicadora e profissional da moda. Ela é isso e muito mais. Por muitas vezes li matérias a seu respeito, li seus posts no blog e sonhei em poder aprender com ela pessoalmente. E olha só onde estamos: a Rainha entrevistando Andreia Meneguete! Por favor, aproveitem cada palavra desse momento assim como eu também aproveitei! Meu muito obrigada Andreia pelo carinho e pela dedicação de tempo em fazer parte aqui do blog.

Andreia Meneguete

É jornalista pós-graduada em Estética e Gestão da Moda pela USP com especialização em Fashion Business & Brand Management pelo Instituto Marangoni de Londres e Branding pela Business School São Paulo. Com 12 anos de experiência no segmento de comunicação, é professora de Jornalismo de Moda e Comunicação Estratégica de Moda na FAAP, jornalista freelancer da Vogue Brasil e marketing do estilista Ricardo Almeida. Já atuou também como coordenadora de planejamento de comunicação & branding na INPRESS para O Boticário, consultora de comunicação estratégica na Editora Trip para Natura, editora de beleza da revista Glamour, repórter das revistas Manequim, Boa Forma, Nova, Women’s Health, Mundo Melissa, jornal Diário do Grande ABC, além de colaborar para sites como iG, Terra e Tempo de Mulher.​

Rainha entrevista:

VR – Como é pra ti trabalhar em 3 áreas bem difíceis (moda, jornalismo e professora) e ser ótima nas 3, mantendo-se sempre atualizada?
AM – Acredito que o que faz tudo acontecer e ter uma certa sinergia é minha paixão por tudo que faço. Antes de mais nada, eu sou jornalista. Tenho uma certa obsessão por histórias de pessoas, fatos, apuração e história. Então, tudo que é informação e tem relevância para um grupo me atrai. A moda surgiu no meio do caminho disso tudo, pois quando iniciei o meu curso de Jornalismo, eu queria mesmo trabalhar com política, escrever para um jornal diário. Eu queria mudar o mundo. Mas ao entrar na área de jornalismo feminino e de moda, eu comecei a me interessar mais pelo universo e fui atrás de cursos para me especializar, só que não tinha nada a respeito. E ao longo dos anos eu fui estudando sozinha ou fazendo cursos curtos, como História da Moda, História do Luxo, Moda na Europa, Moda e Sociedade, etc. E em 2010 surgiu uma pós-graduação na Universidade de São Paulo (USP), que era Estética e Gestão da Moda. Foi lá que eu iniciei meu namoro com a academia e minha vontade de dividir tudo que eu aprendia e também produzia para mais pessoas que assim como eu queriam saber sobre Moda e Comunicação. Criei, então, um programa curricular de um curso livre em 2011 para a FAAP de Jornalismo de Moda e, depois, em 2015, um de Comunicação Estratégica de Moda. Eu faço tudo com tanto carinho e entrega, que acaba acontecendo da melhor forma. Sou apaixonada pela minha carreira, pelo meu trabalho.

VR – Você que já estudou aqui em Londres, na Marangoni, qual é a sua opinião em ter uma experiência fora do pais? No que isso acrescenta como pessoa e profissional, além claro do conhecimento adquirido no curso?
AM – Sempre quis estudar fora, mas nunca conseguia, pois tive filho aos 24 anos e também estava sempre envolvida com trabalho, responsabilidade que não me permitiam ficar um tempo fora. Mas quando eu sai do emprego que estava em 2015, no qual eu atendia e fazia planejamento de Comunicação e Branding para O Boticário, eu decidi que desejava estudar mais sobre a temática branding, moda e business, e o Marangoni foi essa opção. Escolhi o curso que embora fosse curto tinha o maior número de horas: Fashion Business. O curso foi muito bom ao que se refere estar em contato com profissionais que trabalham em marcas importantes. Imagina ter aula com o PR da Vivienne Westwood, a diretora de compras da Marks Spencer e a curadora do Victoria & Albert Museum? Na verdade, eu queria saber para onde essas pessoas olhavam quando precisavam fazer algo importante, qual era a inspiração, ponto de partida, referências. Eu queria inspirações. Fui com um olhar muito curador e atencioso. Voltei com uma mala de 20 quilos de livros e revistas. Porque, de verdade, tudo que eu sei e aprendi quem me ensinou foi a minha caminhada, minha trajetória e mentores profissionais. Não há fórmulas para ter sucesso. Há muita dedicação e treino. Não é simplesmente estar no Marangoni e que o seu currículo se faz, entende? Você tem que ter repertório cultural e profissional para poder fazer as conexões necessárias. Estudar em Londres abriu ainda mais meu olhar, minha mente, minha paixão por moda e sociedade. Essa experiência me amadureceu muito e me mostrou que estou no caminho certo.

VR – Como você vê o estudante de moda no Brasil? No que eles conseguem se diferenciar dos demais?
AM – Olha, não vejo diferença, pois cada turma é uma turma. Parece clichê, mas eu sinto que cada aula se renova porque o aluno é diferente. Sinto que eles têm muita vontade de aprender.

VR – A internet está mudando radicalmente a forma de fazer comunicação. As semanas de moda e os desfiles também estão se adaptando a uma nova forma de consumo. Como você acha que essas mudanças vão afetar o jornalismo de moda?
AM – Acredito que o jornalismo de moda tem que ser mais crítico, mais contestador e mais informativo. As revistas e sites no Brasil não fazem Jornalismo de Moda se olharmos na essência do que é jornalismo: informar com imparcialidade aquilo que é de interesse para a sociedade. Acredito que poderia haver mais veículos com esse viés questionador, colocando temas relevantes entre a indústria da moda e a sociedade. Já diante da evolução dos meios de comunicação, eu vejo que os produtos editoriais estão sofrendo para se manter financeiramente, já que tudo está a um clique e na palma da mão. Acredito que o jornalismo de moda vai ter que ter ainda mais curadoria e reflexão se desejar ter os leitores ali fielmente em busca de informação relevante. Se for somente o buzz do momento, os instagrammers estão fazendo isso, entende? O jornalismo de moda tem que ter um propósito maior com o seu leitor, da imagem de moda à informação de moda, é preciso que haja algo que faça realmente a diferença para esse novo leitor de moda. As marcas de moda entenderem que conteúdo é essencial, então elas estão levando os jornalistas para fazerem isso em suas plataformas proprietárias. Veja a Farfetch, Net-a-Porter, Barneys, Harrods, entre outras: elas mesmas fazem seu conteúdo de moda e geram um vínculo/experiência com o seu consumidor. Não há a necessidade de fazer isso em uma revista de moda. Portanto, as revistas de moda precisam entender que mais do que divulgar ou falar de marcas, elas têm que trazer um olhar curador e reflexivo sobre a moda.

VR – O que todos os anos de experiência com comunicação de moda trouxeram pra ti do que não gostar na moda? O que faz você talvez repensar se está no caminho certo ou o que te deixa triste na moda? 
AM – Aquilo que não me serve ou que eu não gosto da moda, eu tiro o foco. Eu tenho a moda como objeto condutor do meu trabalho de comunicação. Mas antes de tudo sou jornalista e comunicadora, não me debruço diante da moda sem questioná-la. A moda para mim serve como instrumento de análise de sociedade, de manifestações de comportamentos, de desejos de um tempo. Então, a moda está para mim como fonte de estudo e não como algo maior que isso. A minha expectativa com a moda é muito bem alinhada: não compro o sonho ou a glamourização que ela vende.

VR – Deixa agora o teu contato e como podemos te achar e aprender mais contigo!

AM – Tenho um site que foi criado a partir dos desejos dos meus alunos em saberem mais sobre o universo da comunicação de moda. Nessa plataforma, o objetivo é explicar de forma didática alguns temas sobre esse universo e ainda trazer textos sobre as novidades do mercado. Nada de roupas ou aposta da estação, mas, sim, entrevistas, cases de sucesso e reflexões. Quem quiser acessar é www.ameneguete.com.br e podem mandar sugestões de pautas, alguma coisa que gostariam de saber mais.

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