Dicas de Londres, Turismo

Coluna da Ana: Como Vim Parar Aqui

fevereiro 09, 2018 Por Ana Cunha

Meu primeiro intercâmbio foi aos 22 anos. Na época, publicitária recém formada em São Paulo. Demorei para realizar o sonho de conhecer a Europa e, principalmente, a Inglaterra. Obviamente que a moça da agência de intercâmbio me convenceu que, com a grana que eu estava disposta a investir, poderia fazer muito mais indo para Irlanda do que convertendo em libras esterlinas e, assim, fui parar em Dublin.

Também foi durante essa temporada na Ilha Esmeralda que pude viajar e, enfim, conhecer Londres. Ah, Londres! Esta cidade era exatamente o que eu esperava; era como se já a conhecesse, tantos que foram os livros que li e filmes que assisti passados por aqui. Nem preciso dizer que depois de viver essa experiência o sentido da vida mudou e tudo que eu queria era viajar e conhecer o mundo.

Passados 4 anos, um segundo intercambio e mais alguns carimbos no passaporte depois, conheci o homem que hoje é meu marido e, sabe o mais legal disso tudo? É que ele surgir foi consequência de uma decisão que tomei aos 22, indo pra Irlanda. O homem da minha vida era irmão da amiga da minha amiga de Dublin (deu pra entender?), estudamos juntas na Emerald Cultural Institute, e ela também era de São Paulo, de um bairro vizinho ao meu na época. É cada volta que o mundo dá! Mas, bom, voltando ao gatinho que ela me apresentou. Quatro meses depois de nos conhecermos já estávamos viajando, Oktoberfest, em Munique, Alemanha, era o destino (com algumas paradinhas pela romântica Áustria).

Até aí já tinha sacado que a dele também era a minha, e compartilhávamos da mesma sede em desbravar esse mundo a fora. Nos casamos dois anos depois, em 2015, com direito a lua de mel na gelada e acolhedora Rússia. Nessa época já tinha resolvido deixar minha profissão, ela já não me fazia tão feliz quanto um dia fez e era hora de dar uma chacoalhada nessa área da vida também. Era 2016 e eu prestes a completar 30 anos, aprendi a costurar, criei meu próprio negócio do zero com uns trocados, e assim nasceu o meu ateliê.

Resolvi fazer acontecer, resolvi que meus 30 anos seriam, sim, inesquecíveis (sempre me imaginava quando criança, como seria quando completasse 30!). E assim tudo foi acontecendo. Estava mais feliz do que nunca, e trabalhando mais do que nunca. No meio disso tudo, uma proposta para trabalhar em Londres surgia e mudava toda perspectiva de carreira do meu marido (e da minha consequentemente!). Topamos e, 3 meses depois dos meus 30, chegava por aqui com duas malas e muitas emoções e sentimentos misturados.

Nem preciso dizer que nada é como a gente acha que vai ser. Às vezes é muito melhor e, às vezes, só não é tão legal quanto você gostaria. Ruim nunca foi, e eu agradeço todo dia por isso. Mas, vamos lá! Londres! Que incrível. Opa peraí, “could you please speak slowly?” Gente, que dialeto é esse?! Não tô entendendo. Preciso de uma casa, afinal morar em hotel não é tão legal quanto parece; um tédio. Onde? Ah, de frente pra London Eye, pode ser. Claro, nada que milhões de Elizabetes (como eu carinhosamente chamo as Libras Esterlinas) não resolvam. No, thanks, mate. Cheers.

Numa dessas aí, a moça da imobiliária me trouxe pra um lugar estranho, diferente: o leste de Londres. Das 3 vezes que eu tinha visitado a cidade nunca me passou pela cabeça vir pra zona leste. Para começar, eu não estava mais reconhecendo, ela não parecia mais com aquela Londres dos filmes e livros. “Mas é ótimo!”, ela disse. Metrô ao lado, 50 minutos a pé do centro, tem um parque e um canal aqui pertinho. A casa eu gostei; estava tão quentinha quando visitei pra conhecer (Eu sentia tanto frio quando cheguei!).

Foi uma época de adaptação e é um processo que afeta nosso emocional de várias maneiras diferentes, mas, é aí que a gente precisa acreditar mais no universo. Talvez o segredo seja mesmo acreditar, confiar que o melhor sempre acontece. No caso, ele me trouxe pro lugar mais cool da cidade. Confesso que eu demorei pra entender, pra assimilar, pra amar. Uns meses depois, a primavera começou a dar sinais de luz e cores e meu coração já era todo de Bethnal Green. É claro que eu ainda gosto de visitar a zona oeste. Gosto muito do Hyde Park, acho Chelsea e Kensington lindíssimos, obviamente. Passear por St Johns Wood também é muito agradável, confesso. Nunca perco uma oportunidade de visitar Belgravia e a casa de boneca da Peggy Porschen pra tomar um chá (e fazer umas fotos!). Isso tudo é a Londres dos meus livros e filmes. E eu também a amo.

Hoje, porém, tenho uma outra Londres que conquistou um lugar especial no meu coração, e ela fica na Zona Leste, mais especificamente na Zona 2. Nada bate a energia do East End. Você pode começar um pouco ao norte, por Clerkenwell, e continuar sentido leste até Shoreditch, parar na Brick Lane curtir uma pint e uma cena muito mais interessante do que em Camden Town. Andando um pouquinho mais você já chega na minha área, Bethnal Green. Pode chamar de reduto de hipsters, mas aqui acontece de tudo. Tem muita vida nas ruas, muitos cafés, muitos pubs incríveis e cerveja boa – só aqui na rua de casa são 3 cervejarias artesanais, um paraíso pra quem gosta – e eu gosto bastante.

O Victória Park  é um parque maravilhoso, cheio de festivais de música no verão, que é acompanhado por um canal que faz você se sentir em Amsterdam. Tem também a Broadway Market, uma rua fofíssima, cheia de restaurantes gostosinhos, e, de quebra, aos sábados um mercado de rua, com comidinhas, vinil, flores e doces. Tem também o London Fields, um dos poucos parques em Londres onde é permitido fazer churrasco, e no verão é simplesmente a melhor pedida para tardes longas de domingo de sol. Falando em domingo, também temos por aqui a Columbia Road, uma rua que também é fofa por si só, mas que aos domingos tem uma feira de flores, o Columbia Flower Market. Nesses dias os pubs e restaurantes da região ficam abarrotados de londoners de todas as partes da cidade.

E foi assim, desbravando e descobrindo a vizinhança que eu aprendi a amar esse lugar, cada dia mais. Amar a bagunça, a diversidade, as ruas não tão limpinhas quanto as da Zona Oeste e o cheiro de frango frito a cada esquina, ao lado dos melhores cafés veganos que você vai encontrar na vida; o estilo de vida dos “East Enders”. Descobri até que essa Londres aqui você também encontra em vários filmes! O último que vi foi um chamado “Legend” (com o Tom Hardy), e tem muita cena que foi filmada exatamente aqui, em Bethnal Green.

“Ah, tá, legal essa história, mas quem é essa e porque estou lendo isso nO Vestido da Rainha?” Bom, sou a Ana e o hoje toco o Ateliê @lovemy30s daqui, com a ajuda da minha mãe e minha prima no Brasil, pois, bem, eu nunca parei de trabalhar no meu sonho de negócio. Sim, as coisas tiveram que mudar um pouco, já não sou eu quem costura todas as peças das minhas clientes lindas, e ter um negócio a distância continua sendo um desafio todos os dias. O @lovemy30s cresceu em proporções que eu nem imaginava acontecer lá em 2016 quando tudo começou, e, recentemente, recebi esse presente de convite para estar aqui e dividir um pouco mais sobre as minhas aventuras em Londres. Pode acreditar, ela tá só começando, pra vocês e pra mim!

A partir de hoje vou contribuir mensalmente com o blog O Vestido da Rainha, contando um pouco para vocês do que está rolando aqui por Londres. Esse será um espaço para falar sobre um pouco de tudo: moda e tendências, restaurantes, lifestyle, músicas, festivais e o que mais pintar. Espero que, ao contar sobre o que estou vendo e vivendo por aqui, vocês passem a me conhecer um pouquinho mais e saber mais sobre mim e, quem sabe, eu sobre vocês.

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