Dicas de Londres

Coluna da Ana: A Trilha Sonora do Primeiro Ano

abril 10, 2018 Por Ana Cunha

Sempre gostei muito de música. Desde muito cedo já sonhava com os dias em que eu iria ver meus ídolos da música bem de pertinho. A ideia de um festival sempre me agradava, pois era a chance de ver vários artistas do meu interesse em um só evento. Mas a ideia de shows em espaços menores, mais intimistas, ou um estilo ‘pocket show’ num pub, me fazia suspirar mais fundo.

 

Durante minha primeira temporada na Europa aos 23 anos, ver alguma banda que eu gostasse bastante ao vivo constava na lista dos To Dos. Era uma curiosidade mesmo! Viver essa experiência fazia parte de realizar o sonho por completo.

Quando nos mudamos pra Londres, há exatos 1 ano e 5 meses hoje, enxerguei um oceano de oportunidades nesse cenário, com diversos shows rolando em pubs, estádios, parques, casas de shows incríveis. E a melhor parte: super acessíveis, financeira e geograficamente falando.

Meu primeiro show por aqui foi em dezembro de 2016, e era do Richard Ashcroft, na Arena O2 na Zona Sudoeste de Londres. Pra quem gosta de rock dos anos 90, é o vocalista da banda The Verve (e mesmo pra quem não gosta, já ouviu e cantou junto Bittersweet Symphony, certeza!). Ganhamos o ingresso, na verdade. O que deixou tudo mais legal ainda, porque era totalmente inesperado, nem dois meses depois da mudança e toda bagunça que vem com ela, teríamos nosso primeiro show em Londres. Era a primeira vez também que ia praquele lado da cidade. E conhecer a Arena O2 também despertava curiosidade. O lugar é enorme e super bem equipado e organizado, com capacidade para 20 mil pessoas.

A experiência foi incrível mas, melhor do que isso, aquele programa se mostrou uma ótima oportunidade para sair de casa com um propósito bacana, curtir a cidade e ver gente. Faz parte do processo de se mudar pra um novo lugar, em que não se conhece absolutamente ninguém e ainda não pode-se dizer que se tenha uma vida social ativa. São coisas que levam tempo e esforço. Ter esse compromisso era algo que podia preencher aquele espaço vazio que a saudade ainda ocupava em peso.

E então foi a partir desse plano estratégico que conheci vários bairros interessantes, casas de shows que eram antigos teatros e verdadeiras obras arquitetônicas, pubs locais e aconchegantes com ótima programação de bandas ao vivo.

Uma das mais bonitas na minha opinião foi a Shepherds Bush Empire. Construída em 1903, já pertenceu à rede de televisão britânica BBC, e, apesar da capacidade limitada com espaço para somente 2 mil pessoas, já teve Rolling Stones e o Mick Jagger saracoteando no pequeno palco. E nesse antigo teatro – hoje casa de show – vi uma das minhas cantoras preferidas da época dos 20 e poucos anos: Kate Nash. Era o último show da turnê em comemoração aos 10 anos do primeiro álbum, Made of Bricks. Foi lindo! Sem contar que logo depois descobri que numa rua ali ao lado, encontraria meu reduto de garimpo de tecidos, um outro hobby que transformei em trabalho com a @lovemy30s.

Como a intensão era se divertir, ouvir música legal, tomar uma pint e conhecer lugares pela cidade, muitas vezes acabávamos indo em shows de bandas que não conhecíamos a fundo. Do tipo olhar pro menu do restaurante pelo lado do preço? Então, procurar shows legais por preços ainda mais legais era o novo desafio. Lógico que aí precisa de um empenho maior, talvez ouvir um álbum todo, para aí sim decidir comprar o ingresso. A primeira experiência se provou muito eficaz. Era um pub pequeno em Islington, um bairro que até aí não conhecia (que hoje eu adoro), em um pub com o mesmo nome (The Islington), com uma banda irlandesa chamada The Little Hours (que hoje eu adoro também). Palco e espaço pequeno mas aconchegante, vimos o show praticamente do balcão do pub. E a partir daí já tinha meu estilo de show preferido! Ainda vi nesse mesmo esquema The pains of being pure at heart, Current Swell, Shout out louds, Alex G

Uma oportunidade de visitar a zona norte de Londres sem nem passar por Camden Town foi também indo a um show, em um antigo galpão construído em 1847, com uma estrutura enorme circular e que já recebeu Ramones e The Clash, só pra começar a lista. O lugar chama Roundhouse e lá eu vi o show mais incrível da minha vida: The Dandy Warhols. E nem estou falando que é a banda que eu mais gosto, mas definitivamente aquele show entrou pra história.

É nítido que realmente rolou um empenho pra movimentar a vida social nesse primeiro ano de Londres, e os shows foram uma ótima forma de fazer isso acontecer. E como a maioria deles eram em dias de semana, a compra por antecedência me fazia ver aquilo como um ‘compromisso’ de lazer mesmo! Entra praquela lista de prós e contras de começar a vida em um lugar distante de casa e da zona de conforto. O mais legal pra mim, é pensar que aqueles dias de semana ficaram mais leves e divertidos ainda, em meio a tanta novidade de um primeiro ano descobrindo uma cidade nova. Quantas vezes na vida a gente precisa procurar novos caminhos, traçar novos planos e desenvolver outras estratégias pra não deixar a peteca cair e não se desviar do plano principal da vida que, ao menos pra mim, é viver intensamente?!

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